Irão diz estar pronto a provar que não quer armas nucleares
- 17/02/2026
"Nós não procuramos, absolutamente, obter uma arma nuclear. Se alguém quiser verificá-lo, nós estamos abertos a tal verificação", disse numa entrevista publicada hoje no 'site' da presidência iraniana citada pela agência France-Presse (AFP).
O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou hoje a continuação das conversações entre o Irão e os Estados Unidos e instou as partes a manter o ímpeto das discussões visando "conduzir a resultados concretos e construtivos".
A visão de Guterres foi partilhada pelo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, que, numa conferência de imprensa em Nova Iorque, expressou esperança de que as discussões em curso reduzam as tensões regionais e evitem uma crise mais ampla, "que poderia ter implicações muito abrangentes".
"Continuamos a enfatizar a necessidade imperativa de desescalada e de soluções pacíficas, em conformidade com a Carta da ONU, e o secretário-geral sublinha que todas as preocupações podem e devem ser abordadas através da diplomacia e do diálogo. E, naturalmente, agradecemos a Omã e à Suíça por ajudarem a facilitar estas conversações", acrescentou Dujarric.
O Irão e os Estados Unidos concluíram hoje, em Genebra, na Suíça, a segunda sessão de negociações num contexto ainda muito tenso.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano declarou hoje que o Irão e os Estados Unidos chegaram a um entendimento sobre "um conjunto de princípios orientadores" que podem abrir caminho a um acordo, no decurso das negociações na Suíça.
"Chegámos a um amplo acordo sobre um conjunto de princípios orientadores, na base dos quais avançaremos e começaremos a trabalhar num texto de um potencial acordo", declarou Abbas Araghci à televisão estatal iraniana, classificando a nova sessão de negociações como "mais construtiva" do que a que decorreu a 06 de fevereiro em Omã.
Teerão e Washington retomaram as negociações pela primeira vez desde os bombardeamentos norte-americanos a instalações nucleares iranianas durante a guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelita contra o Irão.
"Isso não significa que possamos chegar rapidamente a um acordo", alertou o ministro, admitindo que "será necessário tempo para reduzir" as distâncias entre as posições dos dois países.
"Foi decidido que as duas partes continuarão os seus trabalhos nos projetos de redação", sendo depois "anunciada uma data para uma terceira sessão", acrescentou.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, multiplicou os avisos após a repressão sangrenta de manifestações massivas em janeiro no Irão, deixando aberta a porta a uma solução diplomática, nomeadamente sobre o programa nuclear iraniano.
Na ausência de acordo, Trump ameaçou na sexta-feira o Irão com consequências "traumatizantes" e evocou mesmo abertamente a hipótese de uma mudança de regime.
Leia Também: Guterres espera que EUA e Irão mantenham ímpeto das discussões








