Macron quer reatar contactos com Moscovo "com total transparência"
- 13/02/2026
Falando na Conferência de Segurança de Munique, Macron defendeu que a Europa terá de "definir as suas regras de coexistência" com a Rússia, caso seja alcançado um acordo de paz para pôr fim à guerra na Ucrânia.
"Os europeus devem começar este trabalho, com base na sua própria reflexão e nos seus próprios interesses", afirmou o Presidente francês, sugerindo que sejam iniciadas consultas sobre "este importante tema".
A sua iniciativa de restabelecer os contactos com Moscovo só avançará se receber a aprovação de Kiev, esclareceu, ao mesmo tempo que defendeu que os líderes europeus "devem estar envolvidos na discussão" sobre a paz na Ucrânia, argumentando que "não haverá paz" sem eles, do mesmo modo que "o período pós-guerra afeta diretamente" a Europa.
Emmanuel Macron defendeu também que os países europeus devem "desenvolver ativamente" o seu arsenal de defesa, particularmente em termos de sistemas de "ataque de precisão" de longo alcance, se quiserem ficar numa "posição de força" para negociar no futuro com Moscovo.
O Presidente francês foi bastante crítico das políticas do homólogo russo, Vladimir Putin, observando que estão a produzir o efeito oposto ao pretendido.
Em vez de dividir a Europa, "a Europa está agora a rearmar-se massivamente", destacou, enquanto "a Rússia é completamente dependente da China economicamente e tem também um problema demográfico".
A última conversa telefónica entre Macron e Putin ocorreu em julho de 2025, na qual abordaram o conflito na Ucrânia e o dossiê nuclear iraniano. Foi a primeira interação deste tipo entre os presidentes desde setembro de 2022.
Ainda em Munique, o líder francês instou a Europa a ser vista como "um exemplo" em vez de criticada ou "caricaturada", em resposta ao discurso provocatório proferido no ano passado, no mesmo local, pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance.
Após duas rondas trilaterais em Abu Dhabi, Moscovo e Kiev confirmaram hoje que as suas equipas negociais voltarão a encontrar-se, sob mediação dos Estados Unidos, em Genebra nos próximos dias 17 e 18 de fevereiro.
Antes disso, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, deverá reunir-se com Zelensky nos próximos dias, à margem da Conferência de Segurança que está a decorrer em Munique, na Alemanha.
As partes continuam afastadas sobre o futuro dos territórios ucranianos reivindicados pela Rússia, bem como as garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão russa.
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