Sindicato considera ingerência política Lusa prestar contas no parlamento
- 03/02/2026
"E sim, entendemos que, partir do princípio que a direção de informação deve ser ouvida, poderá ser ouvida, anualmente para prestar contas na Assembleia da República, é uma ingerência política, é uma tentativa de controlo, o jornalismo não deve ser escrutinado pelo poder político", afirmou Susana Venceslau.
A delegada sindical falava na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, no âmbito da audiência aos sindicatos representativos dos trabalhadores da Lusa, sobre o novo modelo de governação da agência de notícias e os novos estatutos.
De acordo com o número 2, do artigo 21.º dos Estatutos da Lusa, "na medida em que as regras regimentais ou deliberação da Assembleia da República assim o determinem, o Conselho de Administração e o diretor de informação comparecerão perante a comissão parlamentar competente, para prestar informações ou esclarecimentos ao funcionamento do serviço público, sempre que tal lhes for solicitado".
"A Lusa tem uma administração, essa sim deve prestar contas, entregar todos os relatórios, vir dar contas do que se faz, a linha editorial tem que ser independente, deve ter liberdade para decidir de forma independente e queremos e defendemos que assim se mantenha", reforçou de representante sindical.
"Entendemos que o jornalismo é escrutinado diariamente" e que "não deve ser feito pelo poder político, muito menos aqui na Assembleia da República", insistiu.
Quanto ao Conselho Consultivo, apontou que "não tem praticamente representantes jornalistas, porque os representantes que lá estão são sim do poder político, são sim do poder local e também dos patrões", referindo que o órgão deveria ter maior pluralidade.
Este novo órgão "não tem poder vinculativo e, portanto, vai ser chamado a dar pareceres que não são vinculativos e levantamos aqui a questão: no momento em que formos chamados a dar esses pareceres que peso vão ter o elemento da Comissão de Trabalhadores com o elemento do Conselho de Redação perante outros 11 que representam o poder político e representam os patrões", questionou.
A delegada sindical aventou a possibilidade de estar a ser trabalhada uma "fusão" da Lusa na RTP, o que colocaria em causa o papel da agência de notícias.
"Aquilo que devíamos estar a discutir neste momento, efetivamente, na nossa opinião modesta, seria o reforço das competências da agência, o reforço dos jornalistas, por força de melhor condições de trabalho e por força de melhores salários", concluiu.
Por sua vez, o delegado sindical do SITE-CSRA Rui Nunes defendeu a necessidade de um Livro Branco sobre o serviço da Lusa.
"Insistimos no Livro Branco, no nosso entender é de toda a conveniência", reforçou.
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