Vieira de Leiria reergue-se com telhas doadas de vários pontos do país

  • 04/02/2026

"Está-se a reerguer", diz, com lágrimas no olhos e voz embargada, o presidente da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, Álvaro Cardoso, convicto de que se começam a ver "os pilares" daquelas que são as condições mínimas "para as pessoas poderem sobreviver".

 

São eles, "a água" que já chega a algumas casas, ainda que "com constrangimentos", a eletricidade, "que ainda só chega a 50% da povoação", e as comunicações que, desde a segunda-feira, "já têm cobertura em vários sítios".

"Nunca na minha vida pensei que era tão dependente das telecomunicações, mas elas são fundamentais em situações de catástrofe", reconhece hoje o autarca que na última semana tinha que ir à Câmara Municipal da Marinha Grande" responder a dezenas e dezenas de chamadas, para não ser ingrato para as pessoas".

Hoje, podia ter agradecido por telefone, mas preferiu ir ao mercado municipal, agora transformado num estaleiro para distribuição de materiais de construção, agradecer pessoalmente a Nelson Carvoeira, proprietário da empresa "Diversões Alentejano", em Vendas Novas.

Ele e o filho angariaram, junto de amigos e fornecedores, "15 mil telhas em dois dias". Hoje, carregaram o camião e rumaram a Viera de Leiria para as oferecer, incapazes "de ficar indiferentes", contou Nelson à agência Lusa.

No domingo, pai e filho já tinham vindo "entregar mil garrafas de água para os bombeiros" e hoje, ao presidente da junta contaram que já juntaram "1.700 euros em dinheiro", numa conta que estão a engordar para "distribuir por quem for preciso".

"Sou o homem mais feliz a dar", confessa.

O autarca agradece "todos os apoios e os voluntários que estão a ajudar a povoação, que já em 2018 tinha sofrido os efeitos da tempestade Leslie "uma criança, comparada a esta Kristin".

Ao mercado, a solidariedade vai chegando de todos os lados.

Do Grupo TT "Toca do Lobo", em Campo Maior, vieram oito pessoas e várias carrinhas trazer telhas e bens de higiene pessoal, detergentes e "leites, farinhas e fraldas para bebés doados pela Farmácia Central de Campo Maior", contou à Lusa o vice-presidente, José Varela.

Bens "distribuídos porta a porta no domingo" e na manhã de hoje pelo grupo que "dormiu nos carros" e, parte deles, "num alojamento cedido por um morador da Praia da Vieira".

Ao lado estaciona um camião acabado de chegar de Famalicão, com "rolos de espuma, plásticos e lonas" doados por um empresa e transportados por outra que ofereceu este serviço.

A fila para recolher estes bens crescia esta tarde, orientada por jovens, alguns do secundário, outros que deixaram as universidades onde estudam porque "é preciso ser solidário nestas alturas".

Ao longo de uma semana, na terra onde se contam pelos dedos as casas onde não faltam telhas, "milhares de pessoas têm passado por aqui, a recolher materiais que aqui estão pela generosidade do povo português", afirma Fernando Antunes, encarregado do estaleiro onde se concentram as doações.

"As pessoas que aqui vêm buscar materiais, são pessoas que têm a sua casa, pelo menos com alguma parte a descoberto ou destruída, chegam desoladas, desesperadas, a pedir ajuda na reparação, porque muitas são idosas ou vivem sozinhas", mas, lamenta, "ainda não conseguimos facultar esse serviço".

Para já, está a ser feito o levantamento das necessidades, através de inscrições na Junta de Freguesia e, "à medida que começarmos a ter equipas especializadas, vamos proceder a essas reparações", afiançou.

Quando houver tempo, hão de tentar reparar-se os danos "da outra parte da catástrofe, a parte humana de uma população que vai ter uma crise económica muito acentuada, com muitas empresas que estão a fechar e já não vão abrir e que vai gerar um grande problema social".

Mas, por enquanto, os dias vão sendo marcados pela procura incessante de telhas para que a " tempestade Leonardo não estrague mais ainda as casas onde não para de entrar água".

Pedro Miguel, que hoje conseguiu 16 telhas para o telhado da mãe, de 86 anos, encolhe os ombros, à falta de palavras para descrever "o estado de ansiedade em que ela ficou, com chapas a bater por todo o lado e telhas a voar".

Carlos Marques, de 73 anos, desfaz-se em lágrimas porque, no seu caso, "o telhado foi todo". Hoje, estava difícil encontrar telhas iguais às que o vento lhe levou. E da cabeça não lhe sai a memória da noite trágica em que o filho, de 40 anos, "portador de deficiência, que tem o quarto no primeiro andar, ficou sem telhado e veio a chorar para o andar de baixo, a pedir para dormir na nossa cama".

"É muito duro, o meu filho mais velho, levou o irmão para o Norte. Ficámos eu a minha mulher, que felizmente tem mais força porque eu só faço é chorar", disse.

Na fila para conseguir telhas, somam-se as histórias de quem, há uma semana não consegue descansar.

"É o vento a levantar as lonas, é a chuva a entrar pela casa" conta Paula, de 45 anos, ainda assim com menos estragos que a mãe, Maria José, que tem " o teto a pingar água para cima da cama e o sofá da sala ensopado".

"O que vale", insiste Fernando Antunes, "é vir gente de todo o país ajudar a reconstruir esta terra, porque senão, era uma missão impossível".

E mesmo assim, conclui, "as casas reparam-se, os telhados tapam-se, mas para muita gente esta tempestade deixou danos irreparáveis".

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FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/pais/2933045/vieira-de-leiria-reergue-se-com-telhas-doadas-de-varios-pontos-do-pais#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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